quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal e um Próspero 2015!

Que as brumas do NATAL tragam bondade, amor e fraternidade aos nossos espíritos, para que possamos com humildade e firmeza de propósitos rever nossos conceitos, nos preparando para um NOVO ANO que nos traga esperanças, novos bons acontecimentos, novos horizontes, enfim, novos caminhos.

Que consigamos vencer os desafios impostos pela senda que o CRIADOR nos faz trilhar, aproveitando a vida da melhor maneira, esquecendo nossas diferenças, percebendo quanto somos semelhantes, para evoluirmos ao máximo.

Finalmente, que não nos esqueçamos de manter esse mesmo altruísmo durante o ano que está por vir.

Roguemos ao DEUS DO UNIVERSO discernimento e amparo para que nos tornemos fortes, e  que os sentimentos de paz, amor ao próximo, harmonia e união seja uma constante no ANO de 2015.


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Presidente do CRF-RJ prestigia posse de novo Comandante do Laboratório Farmacêutico da Marinha

O presidente do CRF-RJ, Marcus Athila, prestigiou a cerimônia de posse do novo comandante do Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM), na manhã do dia 14 de fevereiro. Athila aproveitou o momento para dar boas-vindas ao novo Capitão-de-Mar-e-Guerra (CMG) Helder Daniel Badiani, que ocupará o cargo, antes nas mãos do farmacêutico Almir Diniz de Paulo. Ele fica no cargo pelos próximos dois anos.

Badiani pretende dar continuidade aos trabalhos realizados pelo Laboratório na produção de medicamentos, tanto no âmbito do profissional farmacêutico dentro da Marinha como atendendo à família naval e aos órgãos públicos. “Meu desafio, nesse cargo, é contribuir cada vez mais com a valorização do profissional farmacêutico na área de produção de medicamentos, respeitando sempre a política nacional do Ministério da Saúde. Além disso, pretendemos também dar início às atividades de renovação do Certificado de Boas Práticas do Laboratório. Vamos trabalhar para melhorar o serviço do LFM, atendendo aos órgãos e aos pacientes em suas necessidades medicamentosas”, declara Badiani.

Posse
Presidente do CRF-RJ, Marcus Athila, comparece à cerimônia de posse do novo comandante do LFM
Foto: Imprensa CRF-RJ

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Laboratório Farmacêutico da Marinha é classificado como “Instituição Científica e Tecnológica”

Laboratório Farmacêutico da Marinha é classificado como “Instituição Científica e Tecnológica”

Em 16 de dezembro de 2013, o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM), localizado no Rio de Janeiro, foi reconhecido como Instituição Científica e Tecnológica (ICT). Esse processo é resultado da Visita Técnico-Funcional (VISITEC), realizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha (SecCTM), em 7 de outubro do mesmo ano.

O reconhecimento decorre do atendimento aos requisitos previstos na Lei de Inovação Tecnológica. Dentre eles, o de realizar pesquisas aplicadas, principalmente com medicamentos fitoterápicos. Essa cultura possibilitou ao LFM se tornar a primeira ICT entre os laboratórios das Forças Armadas e a segunda na área de pessoal da Marinha do Brasil, contribuindo para a evolução científica na área de saúde e desempenho humano.

Criado em 1906, o LFM cumpre sua missão de atender à Família Naval e aos órgãos públicos, produzindo medicamentos com o objetivo de ajudar a suprir a necessidade nacional, conforme a política elaborada pelo Ministério da Saúde.



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os Laboratórios Farmacêuticos Militares e a Estratégia Nacional

Por Manoel Rodrigues Martins e Luiz Eduardo Ghetti*

Os Laboratórios Farmacêuticos Militares têm tido, ao longo de suas histórias, e ao contrário do que poucos sabem, uma marcante e destacada presença na História do Brasil, desde os primórdios da nossa nacionalidade.

Imperioso lembrar que a chegada da Corte Portuguesa ao Brasil, destacou-se com um importantíssimo marco para o estabelecimento das bases da indústria brasileira por meio da criação, no dia 21 de maio de 1808, da Botica Real Militar do Brasil, hoje Laboratório Químico-Farmacêutico do Exército (LQFEx), considerado a primeira indústria nacional brasileira e também da América Latina.

Noventa e oito anos depois, no dia 09 de novembro de 1906, é criado o Laboratório Pharmacêutico da Marinha e Gabinete de Análises que se fundiram, formando o hoje Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM). Finalmente, no dia 21 de maio de 1971, é criado, a partir da Seção de Farmácia Hospitalar do antigo Hospital da Aeronáutica do Galeão, o Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA).

Pode-se dizer que um momento marcante na vida dos Laboratórios Farmacêuticos Militares se deu com a criação da Central de Medicamentos (CEME), em 1982, Órgão do Ministério da Saúde, que passou a utilizar grande parte da capacidade operacional desses Laboratórios, que se constituíram a partir de então, em grandes e destacados parceiros daquela Instituição.

Deve ser frisado, que a produção de medicamentos próprios para cada uma das Forças Armadas permaneceu inalterada, apesar da considerável demanda que a produção para a CEME passou a representar.

Assim sendo, tendo em vista a expressiva produção para o Ministério da Saúde, os três Laboratórios Farmacêuticos Militares foram convidados a integrar a Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil – ALFOB – com sede em Brasília, incluindo a participação dos Diretores desses Laboratórios no Conselho Diretor da ALFOB.

A partir da ALFOB, outro fato marcante foi a inclusão desses Laboratórios, a partir de 2005, na Rede Brasileira de Produção Pública de Medicamentos (extinta em 2007), para a produção de medicamentos ditos “Institucionais”, tendo em vista o seu elevado papel estratégico frente à demanda no Brasil.

O Ministério da Saúde, por meio da Portaria nº 978/2008, com base na história de exitosas parcerias mais uma vez destacou os Laboratórios Farmacêuticos Militares, a participar como principais atores nos processos de transferência de tecnologia, no ciclo de nacionalização da produção de “Medicamentos Imunossupressores” tendo em vista o seu elevado custo para o governo e a população, aliado a expressiva demanda desse tipo de produto.

Já os ”Medicamentos Estratégicos” incluem, por sua vez, aqueles que não são produzidos pelas multinacionais farmacêuticas, tendo em vista o seu baixíssimo valor financeiro agregado em sua distribuição no País. Entre esses medicamentos podem ser citados aqueles empregados no tratamento da tuberculose e da hanseníase (lepra), onde os Laboratórios Farmacêuticos Militares têm suprido, já há alguns anos, a demanda nacional.

Quando o assunto é tratamento, seja clínico ou cirúrgico, em qualquer tipo de enfermidade, a primeira idéia que ocorre é a busca pelo medicamento certo, prescrito corretamente e oportunamente ofertado. Vale dizer, portanto, que o medicamento se traduz como o próprio “vetor da cura”, no tratamento das mais diversas patologias que existem.

Pode-se dessa forma, seguramente afirmar, que medicamento é fator de segurança nacional, pois não há como tratar e curar sem a presença do mesmo. Para corroborar essa máxima buscamos no estrategista Edward Earle a afirmação: “controlar e aplicar os vários recursos de uma nação, assegurando-os contra ameaças, configura a Grande Estratégia Nacional”. Sem dúvida, o controle das atividades industriais, efetivamente estabelecidas ou potenciais, é uma das formas de manifestação do poder de uma nação.

Depreende-se assim, que entre o rol das estratégias específicas que compõem a Grande Estratégia Nacional, a de desenvolvimento, a de emprego e de controle do setor industrial torna-se fundamental.  Deve ser obrigatoriamente destacado que nesse contexto, a indústria farmacêutica ocupa uma posição ainda mais peculiar, pois sendo área integrante do campo da saúde, manifesta-se de modo inquestionável nos campos da ciência e tecnologia e psicossocial de qualquer nação, ou seja, sem medicamento não existe qualquer hipótese para tratar ou curar em qualquer fase ou etapa do tratamento.

Sensível e sabedores dessa realidade, os países exportadores de matérias-primas farmacêuticas, todos de primeiro mundo, em particular os Estados Unidos da América obtiveram no ano de 2005 os seguintes percentuais: 18% nas vendas voltadas à indústria farmacêutica em comparação aos 6% da indústria eletrônica, 5% das telecomunicações e 4% da automotiva, uma vez que os insumos farmacêuticos ou matérias-primas farmacêuticas estão entre os produtos de maior valor agregado que existem.

Para que se possa avaliar essa realidade, deve ser informado que no desenvolvimento de uma única molécula farmacêutica (fármaco ou princípio ativo), são gastos entre U$ 900 milhões e US$ 1,3 bilhão de dólares, demandando um tempo compreendido entre oito (8) a doze (12) anos desde os ensaios iniciais até seu lançamento no mercado. Importante informar que o Brasil importa atualmente cerca de 94% de toda a matéria-prima farmacêutica, com sérios riscos à soberania nacional.

Apesar de pouco conhecidos e às vezes até questionados, os Laboratórios Farmacêuticos Militares têm prestado, já há muitas décadas, inestimáveis serviços ao Brasil, não apenas em situações de conflitos, apoiando seus respectivos Comandos Militares, bem como no suporte aos diversos Programas de Saúde do Governo Federal.

Nas ocasiões de conflito, obrigatório citar, que a participação dos laboratórios Farmacêuticos Militares sempre se mostrou destacada. Marco da indústria farmacêutica nacional, como já foi citado, o Laboratório Químico-Farmacêutico do Exército (LQFEx), comprovou sua importância nos principais eventos que marcaram a História do Brasil. Marcou presença fabricando e fornecendo medicamentos em diversos momentos, desde a Guerra do Paraguai e Campanha de Canudos até as duas Guerras Mundiais, apoiando com o imprescindível medicamento as tropas de combate das Forças Armadas Brasileiras.

Se, nas ocasiões de conflito a idéia de ameaça à integridade de uma nação é evidente, em tempos de paz surgem os adversários internos, invisíveis, mas não menos danosos. Em períodos de carência na área social, parcelas significativas da população ficam expostas a uma deficiente infra-estrutura sócio-econômica incluindo alimentação, suporte sanitário, assistência médica e a obrigatória presença do medicamento, fatores que somados resultam nos estados mórbidos muitas vezes mais impactantes na sociedade do que os conflitos declarados.

Situações não menos comuns, porém igualmente graves e mais urgentes surgem nos casos de calamidade pública, seja no âmbito nacional ou mesmo no auxílio às Nações Amigas. Um exemplo marcante da participação da área de saúde do então Ministério da Aeronáutica ocorreu em 1985, na “Operação Anauhac”, quando o Brasil prestou socorro às vítimas do grande terremoto que devastou a Cidade do México com a disponibilização e a aplicação de medicamentos fabricados nos Laboratórios Farmacêuticos Militares da Marinha, Exército e Aeronáutica.

Remediando situações como essas, têm sido frequente, nas últimas décadas, a participação direta ou indireta dos Laboratórios Farmacêuticos Militares nas Ações Cívico-Sociais (ACISO), operacionalizadas pelas três Forças Armadas nas mais longínquas e carentes regiões do País, por meio da distribuição e dispensação de medicamentos e de outros itens básicos para o atendimento médico. Nessas ocasiões, observa-se a grande importância da indústria farmacêutica militar, bem como a necessidade da busca da auto-suficiência na pesquisa de novas matérias-primas farmacêuticas para a produção, distribuição e dispensação de medicamentos, em função dos exorbitantes preços praticados pelas multinacionais farmacêuticas que atuam no Brasil.

Deve ser obrigatoriamente informado, que por inúmeras vezes, ao longo dos últimos anos, determinados produtos foram sumariamente retirados de circulação no momento que o lucro não foi percebido na dimensão projetada pelas multinacionais produtoras de medicamentos. Esse é um fato extremamente grave, uma vez que dependendo da doença instalada, o uso do medicamento é inelástico, ou seja, sem a sua presença ocorrerá irremediavelmente o óbito. Como exemplo podem ser citadas as doenças metabólicas, como o diabetes (9% da população brasileira), as doenças cardiovasculares (26%) da população, além de doenças envolvendo as alterações hormonais (hipotiroidismo e hipertiroidisnmo), doenças inflamatórias e infecciosas, além de muitas outras.

Um outro fato digno de destaque em relação aos Laboratórios Farmacêuticos Militares, diz respeito à constante e crescente participação dos mesmos nas campanhas governamentais de assistência básica de medicamentos à população brasileira, marcando presença em importantes programas de saúde, entre os quais os de combate a AIDS, a Hanseníase, a Tuberculose e aos estados carenciais, entre outros.

Os Laboratórios Farmacêuticos Militares têm marcado importante presença ainda, na ação reguladora de mercado quando convocados pelo Ministério da Saúde a participarem, em conjunto com os demais Laboratórios Farmacêuticos Oficiais da Rede Estadual, da fabricação de itens estratégicos, com vistas à economia de recursos, cuja produção seja monopolizada por grupos multinacionais.

O Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica (LAQFA), como um dos primeiros laboratórios farmacêuticos do Brasil a integrar efetivamente a Central de Medicamentos (CEME), tem participado continuamente ao longo de sua história, como instrumento de produção dos citados “medicamentos estratégicos” para o País.

Em sua destacada história, já em 1972, somente um ano após sua fundação, o LAQFA iniciou, por meio do seu corpo técnico, estudos farmacotécnicos para desenvolver o medicamento Insulina de 40 e 60 Ul/ml, concluída em março de 1976. Fato marcante na trajetória do LAQFA, esse medicamento veio a suprir todo o território nacional, até o ano de 1979, uma vez que o único laboratório farmacêutico multinacional que comercializava esse produto no Brasil (multinacional americana), descontinuou o seu fornecimento, causando um verdadeiro pânico entre os usuários do mesmo. Foi a partir da insulina cristalizada, obtida pela BIOBRÁS S.A. que o LAQFA pode produzir esse medicamento.

Esse fato representou de maneira clara e inequívoca o papel estratégico dos Laboratórios Militares, uma vez que sem o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo LAQFA, que possibilitou a oportuna fabricação desse produto, imprescindível para o paciente diabético insulino-dependente, milhares de óbitos teriam ocorrido no Brasil, incluindo o público militar.

Da mesma forma, entre os anos de 1983 a 1985, o LAQFA mais uma vez contribuiu para o abastecimento do mercado interno, com a produção de Solução para Hemodiálise, utilizado pelo paciente renal, tendo em vista a escassez do produto no mercado, envasando em torno de 8.000 litros diários desse produto e suprindo todo o território nacional.

                        Merece, ainda, destaque, a atuação do LAQFA em parceira com os Parques de Material de Aeronáutica, como um conjunto de unidades industriais. Essa parceria mostrou-se bastante eficaz, pois o LAQFA, mobilizando sua tecnologia de produção de soluções líquidas, obteve êxito em substituir um produto de lavagem de aeronaves então adquirido no mercado internacional a custos exorbitantes, por um similar desenvolvido e testado no âmbito do então Ministério da Aeronáutica. Com a normalização do mercado e a retração dos preços, esta produção foi sendo gradativamente suspensa.

Ainda quanto à produção estratégica, o LAQFA foi convocado, em março de 2000, a pesquisar, desenvolver e produzir o medicamento lodeto de Potássio 130 mg comprimido. Esse medicamento, incomum na prática médica usual, é empregado nos casos de prevenção e nas emergências pós-acidentes nucleares, onde ocorre intensa liberação de iodo radioativo, com a finalidade de impedir a absorção do mesmo pela glândula tireóide. Na oportunidade, a Fundação Eletronuclear de Assistência Médica (FEAM), situada na cidade de Angra dos Reis, encontrava grandes dificuldades em importar esse produto, inexistente no mercado nacional e cujo fornecimento foi subitamente descontinuado pela França. Sua baixíssima demanda, altamente específica, tornava-o desprovido de interesse de qualquer exploração comercial e, consequentemente, sem perspectiva de desenvolvimento por parte de qualquer multinacional farmacêutica ou mesmo por laboratórios privados no território nacional.

Alheio à obstinação do lucro e fiel a sua missão estratégica, o LAQFA desenvolveu o produto e preencheu esta lacuna abastecendo, a partir de então, a Fundação Eletronuclear de Assistência Médica, evitando o desabastecimento desse item imprescindível, pois é previsto que as usinas nucleares possuam esse antígeno estocado para o caso da emissão de radiações ionizantes.

O Iodeto de Potássio 130 mg, foi registrado pelo LAQFA, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, em setembro de 2006, sendo o primeiro produto do gênero na América Latina.

A indústria farmacêutica, obrigatório informar, é uma indústria de transformação, onde os insumos farmacêuticos (matérias-primas farmacêuticas ou farmoquímicos), são progressivamente manipulados segundo uma fórmula farmacêutica pré-estabelecida, com vistas à obtenção de uma forma farmacêutica específica (comprimidos revestidos, laqueados, sublinguais ou efervescentes, drágeas, cápsulas, pós, pomadas, cremes, colírios, soluções injetáveis e extemporâneas). O Brasil importa atualmente, cerca de 94% (noventa e quatro por cento) da matéria-prima farmacêutica, o que constitui um grande risco à soberania nacional pelo perigo de desabastecimento de determinadas classes de matérias-primas farmacêuticas, a exemplo do que já têm acontecido com outros países em situações de conflito (Guerra das Malvinas, por exemplo), por embargos econômicos ou mesmo políticos.

O mercado de insumos farmoquímicos é bastante diversificado, com os maiores produtores localizados nos Estados Unidos, Europa, Japão, China e Índia, aonde os países do bloco asiático vêm se destacando cada vez mais, em função dos grandes incentivos de produção  por parte dos  governos daqueles países.

Como já foi citado neste texto, o custo médio estimado na pesquisa de um novo fármaco está na ordem de U$ 900 milhões a US$ 1,3 bilhão, com um tempo médio de oito (8) a doze (12) anos despendidos no desenvolvimento do mesmo. Apenas 01 (um) único entre 5.000 (cinco mil) moléculas pesquisadas chega aos pacientes e, entre 07 (sete) e 10 (dez) drogas não cobrem os custos do processo com as diversas fases da pesquisa. Uma vez homologados para o consumo, esses medicamentos estão amparados pela “reserva de patentes”, por até 20 (vinte) anos. Somente depois de expirado esse prazo, um outro laboratório farmacêutico que possua o Certificado das Boas Práticas de Fabricação poderá produzi-lo como medicamento genérico devendo, no entanto, desenvolver a sua própria formulação. A expectativa de lucro desses laboratórios multinacionais apenas no primeiro ano de circulação do novo produto, atinge a casa dos U$ 30 bilhões.

As pesquisas na área da farmoquímica no Brasil estão muito defasadas e deixam muito a desejar. Observa-se que nos Estados Unidos e países europeus, por exemplo, as empresas estabelecem parcerias importantes com as universidades no sentido de captar novos ensaios e pesquisas nos vários campos da ciência, ou seja, a empresa está dentro da universidade. No Brasil observa-se, infelizmente, o contrário e os resultados aí estão: 94% de importação de farmoquímicos com patentes prejuízos e perigos à soberania nacional.

Acreditamos que apenas por meio do estabelecimento de uma política consistente e inteiramente voltada á área dos farmoquímicos, não só pelo seu elevado valor estratégico e agregado, o Brasil poderá dar os primeiros passos, ainda que tímidos, em direção a essa imperiosa necessidade. Não há como permanecer nessa perigosa situação de uma quase total dependência nessa área, uma vez que não há como tratar ou curar sem medicamentos. Observa-se ainda, que as doenças cardiovasculares e os diabetes, têm crescido assustadoramente no Brasil que importa quase 100% dos medicamentos utilizados nessas patologias, o que é um grande risco.

É fato que os Laboratórios Farmacêuticos Militares da Marinha, Exército e Aeronáutica, dispõem de uma massa crítica formada por excelentes profissionais farmacêuticos que poderiam ser explorados e direcionados à pesquisa e ao desenvolvimento de moléculas farmacêuticas em parcerias com as Universidades no Brasil e cursos no exterior, para que se possa caminhar com consistência nessa linha de ação.

Há que se destacar ainda os chamados “Produtos Órfãos”, representados por aqueles medicamentos que tratam doenças específicas e típicas de um país tropical como é o Brasil, no caso a leishmaniose, a malária, a doença de Chagas, por exemplo, doenças essas que simplesmente não existem nos países produtores de insumos farmacêuticos.  Além dessas, existem ainda doenças endêmicas outras como a tuberculose e a lepra, próprias da promiscuidade, para as quais as matérias-primas farmacêuticas são totalmente importadas.

Enfim, o Brasil encontra-se, nesse mister, em uma situação totalmente vulnerável, pois não desenvolveu, até hoje, qualquer política efetiva para a pesquisa de farmoquímicos.


Uma nação só é soberana quando produz  fármacos
que falem a sua própria língua


                                   

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* Manoel Rodrigues Martins é Coronel Farmacêutico da Aeronáutica e Coordenador da Divisão de Assuntos de Logística e Mobilização Nacional da Escola Superior de Guerra
Luiz Eduardo Ghetti é Tenente-Coronel Farmacêutico da Aeronáutica e Chefe da Divisão Técnica do Laboratório Químico-Farmacêutico da Aeronáutica

terça-feira, 17 de abril de 2012

CMG (F) DR. ARNALDO PAULO
Nota de Falecimento

Câmara Municipal de Petrópolis
Assessoria de Comunicação

CMG(F) Arnaldo Paulo
● 1936  † 2012
Faleceu na noite de domingo, 15 de abril de 2012, o estimado Comandante Arnaldo Paulo. O velório foi realizado no Salão Hermogêneo Silva, na Câmara Municipal de Petrópolis, e o sepultamento às 16h, no Cemitério Municipal.

Arnaldo Paulo era uma das personalidades mais queridas da sociedade petropolitana, fazendo parte de uma elite genuinamente clássica. Diplomado em Farmácia e Capitão de Mar e Guerra da Marinha do Brasil, na qual trabalhou por quarenta anos. No decurso de sua carreira militar, recebeu diversas medalhas e condecorações, entre tantas as de Mérito Naval e Mérito Tamandaré. Devido aos seus excelentes trabalhos, competência e lealdade foi agraciado com sete Citações Meritórias. Foi diretor do Laboratório da Marinha e conselheiro diretor da Central de Medicamentos. Por diversas vezes foi Juiz e Presidente do Conselho Permanente de Justiça da 1ª e 2ª auditoria da Marinha. A convite dos almirantes presidentes do Clube Naval exerceu as funções de conselheiro do referido clube.

Arnaldo era Cidadão Carioca, Cidadão Friburguense e Cidadão Petropolitano, por relevantes serviços prestados a estas cidades. Em 1964, como militar, foi nomeado delegado da cidade de Bom Jardim. Recebeu da Câmara Municipal de Petrópolis inúmeras Moções Congratulatórias.
      
Foram muitos os seus feitos como a fundação da Academia Brasileira de Farmácia Militar - ABRAFARM, da qual foi presidente e membro titular. 

Eterno apaixonado por sua falecida esposa Célia, fundou em 09 de julho de 2010, a Associação Filantrópica Célia Lobo Paulo, com a qual ajudou diversas entidades e necessitados da sorte financeira, em especial as vítimas das chuvas de janeiro de 2011, mobiliando suas casas.



quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

ORAÇÃO AO FARMACÊUTICO

Por Álvaro de Albuquerque

Bendito seja tu!...que em horas mortas,
Para servir um lar que a dor invade,
Vais abrir tua porta com bondade
Quando o sono fechou todas as portas!

Bendito seja tu!...Que mal suportas,
Dos venenos a cruel letalidade
E os transforma, por bem da humanidade,
Nos bálsamos que arranca das retortas!

Quando o mundo chegar a novas eras,
Quando os homens, em vez de serem feras,
Se unirem pela força dos ideais

Erguer-se-ão monumentos de granito
Em cujos pedestais se tenha escrito:
"Farmacêutico" só! Para quê mais?


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Azul da Prússia

Por Sonia Fonseca Rocha

O Azul da Prússia é um medicamento indicado em contaminações com Tálio, Rubídio e principalmente com  Césio, independentemente da via de contaminação. Este medicamento foi utilizado nas vítimas do acidente em Chernobyl (Rússia), que também tinham sido irradiadas e contaminadas com o Césio. Desta forma, decidiu-se por utilizar este medicamento  nas vítimas do acidente radioativo de Goiânia. Ele não é absorvido pelo tubo gastrointestinal e é de baixa toxicidade. Funciona como uma resina de troca iônica. O Césio, que é excretado por via urinária, passa então a ser também eliminado pelas fezes.

Este medicamento, se administrado em 10 minutos após a contaminação radioativa, reduz a absorção em 40%. Como não é absorvido pelo organismo, seu efeito é local, não havendo toxicidade ou contra-indicação.

No caso das vítimas do acidente radiológico de Goiânia, não se sabia exatamente que dose utilizar, uma vez que os pacientes só começaram a ser corretamente tratados cerca de 15 dias após a contaminação radioativa, além da grande dificuldade, na época, em se estabelecer a dose de radiação que cada vítima havia recebido.

A partir da administração do Azul da Prússia, os pacientes passaram a eliminar grandes quantidades de Césio pela urina e fezes. A radiometria dos excretas permitiu regular a posologia do Azul da Prússia para cada paciente.

Graças à ação do Azul da Prússia, ocorreu a inversão da relação excretora urina/fezes, observando-se um aumento de 75% da excreção fecal, o que foi comprovado pelos estudos radiométricos dos excretas, realizados no IRD.

Para o tratamento dos pacientes, utilizou-se a dose preconizada pela literatura, ou seja, um grama três vezes por dia, elevando-se a dose até nove gramas/dia, sem o aparecimento de efeitos colaterais. Inicialmente, utilizou-se o medicamento de fabricação alemã, com o nome comercial de Radiogardase, enquanto a Marinha do Brasil, por intermédio do seu Laboratório Farmacêutico, progredia nos estudos para sua fabricação.

A utilização do Azul da Prússia foi fator decisivo na redução da contaminação radioativa dos pacientes.

A fabricação pelo Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM)

Apurou-se que no acidente em Chernobyl as vítimas também foram irradiadas e contaminadas pelo Césio, na condição de subproduto de fissão. Na época, sugeriu-se que fosse utilizado naqueles pacientes um produto denominado Radiogardase (Azul da Prússia). Assim, a Diretoria de Saúde da Marinha, em conjunto com os especialistas em Radioproteção e em Medicina Nuclear já atuando no atendimento aos pacientes de Goiânia, decidiu pela imediata importação do Azul da Prússia. Rapidamente, o produto foi colocado à disposição no HNMD, para que fosse utilizado no tratamento das vítimas do acidente radioativo.

Simultaneamente, farmacêuticos da Marinha do Brasil lotados no Hospital Central da Marinha (HCM), que possuíam em sua estrutura um excelente Laboratório de Análises Clínicas, passaram a pesquisar o produto. As pesquisas foram coroadas de êxito e eles elaboraram a primeira amostra do medicamento em caráter experimental, sendo criado o Ferrocianeto de Ferro e Potássio. Verificou-se que o produto desenvolvido captava cerca de 90% do Césio do organismo (teste realizado in vitro), em contrapartida à Radiogardase de origem alemã, que captava em torno de 35%. Os trabalhos de pesquisa prosseguiram no LFM, em conjunto com o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD).

Os farmacêuticos do HCM, em conjunto com os farmacêuticos do LFM e após rigoroso controle de qualidade químico e biológico, começaram a fabricação de maiores quantidades de Azul da Prússia, tanto para aplicação superficial no corpo das vítimas como na superfície de materiais contaminados pelo Césio. Durante todo este processo, o produto era testado no laboratório do IRD. Desenvolveu-se desta forma a tecnologia de produção do Azul da Prússia pela Marinha do Brasil e pela CNEN, através do IRD.12

Na época, o produto não pôde ser utilizado pelas vítimas por via endógena porque dependia ainda de ensaios toxicológicos e um mínimo de cinco anos de estudos comprobatórios. A Marinha do Brasil, por intermédio do Laboratório Farmacêutico da Marinha, levou adiante os estudos para desenvolvimento do Ferrocianeto Férrico, para substituir a Radiogardase, visando cumprir os requisitos necessários para prontificação do Plano de Emergência Nuclear Brasileiro. Em paralelo a estes estudos, o LFM se dedica a uma segunda fase, que é a pesquisa e execução de ensaios clínicos deste novo medicamento a ser denominado Ferrocianeto de Potássio-LFM.